Festipoa 2012 – Programação

O FestiPoa Literária está de volta, pronto para sua tão esperada 5ª edição. Porto Alegre já está contando os dias para essa grande festa que acontece em torno dos livros e da literatura. Além dos já tradicionais encontros com debates e lançamentos e livros, esta edição vem com novidades como um concurso fotográfico e a identidade gráfica reformulada pelo artista Fabriano Rocha.

O festival vem dessa vez patrocinado pela Iesa Veículos (financiamento pelo Ministério da Cultura – Lei Rouanet), além de contar com o apoio de diversas outras empresas locais que valorizaram a literatura e arte brasileira.

Confira abaixo a programação completa da FestiPoa 2012:

12 DE ABRIL/QUINTA
19h – Sarau erótico: um prazer literário
Paula Taitelbaum, Cirandar Ong e escritores convidados. Promoção: Biblioteca Goethe Institut e Cirandar.
DIA 18/04 – 4ª feira
Casa de Cultura Mario Quintana/Biblioteca Lucília Minssen (5º andar)
De 10 às 18h – Literatura infantil
FESTINHA CIDADE POEMA: DILAN CAMARGO, LAIS CHAFFE, SANDRA SANTOS, CELSO SISTO e ALEXANDRE BRITO
Literatura infanto-juvenil
CHRISTINA DIAS, LAURA CASTILHOS e ANA TERRA
Ocidente
18h30 – DIONES CAMARGO, TATATA PIMENTEL e REGINA ZILBERMAN conversam com IVO BENDER (escritor homenageado da FestiPoa)
20h30 – Leitura dramática em homenagem a Ivo Bender
DIA 19/04 – 5ª feira
Casa de Cultura Mario Quintana/Auditório Luis Cosme (4º andar)
18h30 – A produção literária brasileira contemporânea
BEATRIZ RESENDE e ITALO MORICONI. Mediação: PAULO SCOTT
20h – JOCA REINERS TERRON conversa com SÉRGIO SANTANNA E CÉSAR AIRA
DIA 20/04 – 6ª feira 
Casa de Cultura Mario Quintana/Auditório Luis Cosme (4º andar)
18h30 – Escolhas
RAMON MELLO entrevista HELOISA BUARQUE DE HOLLANDA.
Espaço cultural Sintrajufe-RS
22h – Sexta Básica
Leituras, performance e show: IRACEMA MACEDO, RAMON MELLO, GABRIEL PARDAL, MARIA REZENDE e “ESCRETE: CHICO BUARQUE” (show: Antônio Carlos Falcão, Alexandre Missel e Jorge Furtado)
DIA 21/04 – sábado
Palavraria 
11h – A produção literária latino-americana contemporânea
CRISTIAN DE NAPOLI e KARINA LUCENA. Mediação: RUBÉN DANIEL
14h24 – Leitura A melhor maneira de dizer tudo em 6 minutos: LEILA TEIXEIRA
14h30 – Estudos para o corpo da linguagem
ISMAEL CANEPPELE e FABRICIO CORSALETTI. Mediação: GUTO LEITE.
Casa de Teatro
17h – Poesia: humor: liberdade: linguagem
DIEGO GRANDO e GABRIEL PARDAL. Mediação: DIEGO PETRARCA
Lançamentos: Carnavália (Gabriel Pardal), Sétima do singular (Diego Grando) e Correnteza e escombros (Olavo Amaral)
20h – Leituras: FABRÍCIO CORSALETTI, CRISTIAN DE NÁPOLI e ANGÉLICA FREITAS
DIA 22/04 – domingo
Palavraria
14h30 – Narrativas breves, fantásticas e reais
HENRIQUE SCHNEIDER e OLAVO AMARAL. Mediação: LEILA TEIXEIRA
16h30 – Identidade: ficção, esquecimento e memória
PEDRO MACIEL e ALTAIR MARTINS. Mediação: LUCIANA THOMÉ
Lançamento: Previsões de um cego (Pedro Maciel)
18h24 – Leitura A melhor maneira de dizer tudo em 6 minutos: CRISTINA MACEDO lê poemas de SILVIA PLATH
18h30 – Literatura se faz na universidade?
CAROL BENSIMON, LUÍS ROBERTO AMABILE. Mediação: AUGUSTO PAIM
20h30 – Recital de poesia
Alunos da oficina Bem dita palavra, ministrada por MARIA REZENDE.
DIA 23/04 – 2ª feira
Casa de Cultura Mario Quintana/Mezanino
17 às 22h – Noite do livro e da literatura
O tempo e o vento: leituras do livro pelo público e gravação de vídeos das leituras, celebrando 50 anos de publicação do romance.
Casa de Cultura Mario Quintana/Mezanino
18h30 – Gazzara
RAFAEL COUTINHO, RAFAEL SICA e SANTIAGO debatem a produção de HQs e cartuns. Mediação: MOAH
Lançamento do livro e da exposição Gazzara
Casa de Cultura Mario Quintana/Teatro Carlos Carvalho 
20h – Leitura dramática da peça O tempo sem ponteiros (Diones Camargo). Direção: Diones Camargo. Elenco: Elisa Brites, Clemente Viscaino, Fabrizio Gorziza, Renata Stein e Francine Kliemann
CCMario Quintana/Mezanino 
21h – Tanka!? – leitura e projeção de textos: BANDO HOBURACO
21h24 – Leitura A melhor maneira de dizer tudo em 6 minutos: ROSANE PEREIRA
21h30 – Performance Ontolombrologia sertaneja: ode aos vates: GABRIELLE VITÓRIA
DIA 24/04 – 3ª feira
Goethe Institut/Auditório
20h – Leitura dramática de Quem roubou meu anabela? (Ivo Bender).
Direção: Marcelo Adams. Elenco: Gisela Habeyche, Margarida Leoni Peixoto, Marcelo Adams e Pedro Antunes. Iluminação: Shirley Rosário.
21h – A dramaturgia e a ficção de Ivo Bender
MARCELO ADAMS e LÉA MASINA.

DIA 25/04 – 4ª feira
Ocidente
18h30 – Memória e literatura
IVAN IZQUIERDO e ARMINDO TREVISAN. Mediação: ALTAIR MARTINS
20h – Ulysses, de James Joyce
CAETANO GALINDO e AGUINALDO SEVERINO
22h – Show RONALD AUGUSTO TRIO
DIA 26/04 – 5ª feira
Sala II do Salão de Atos da UFRGS (Campus Central)
19h – Núcleo da Canção
LUIZ TATIT e LUIS AUGUSTO FISCHER
21h – As vozes da poesia e da canção
ADEMIR ASSUNÇÃO entrevista NEI LISBOA
DIA 27/04 – 6ª feira
Casa de Cultura Mario Quintana/Auditório Luis Cosme (4º andar)
18h30 – Operário do precário
ANTONIO CARLOS SECCHIN e RICARDO SILVESTRIN conversam sobre produção poética e leitura de poesia.
Lançamento: Memórias de um leitor de poesia (Antonio Secchin)
20h30 – Homenagem ao centenário de publicação de “Eu” (Augusto dos Anjos)
JAIME MEDEIROS JR, PAULO SEBEN, SIDNEI SCHNEIDER e ANA TETTAMANZY.
22h – Eletropoeteria – performance poética-musical: LUCAS REIS GONÇALVES e DADO VARGAS
Lançamento: Moradas de Orfeu (poetas do RS, SC e PR), organizada por MARCO VASQUES
DIA 28/04 – sábado
Casa de Cultura Mario Quintana/Auditório Luis Cosme (4º andar)
10h30 – A consciência da crítica literária brasileira
MIGUEL SANCHES NETO e JOÃO CEZAR DE CASTRO ROCHA.
Mediação: CARLOS ANDRÉ MOREIRA
Lançamento: Exercícios críticos (João Cezar de Castro Rocha)
Casa de Cultura Mario Quintana/Mezanino
15h – Drummond: três retratos, um poeta
LÍVIA LOPES BARBOSA.
16h – Lançamento: A voz do ventríloquo (Ademir Assunção)
18h – Livro ao vivo
Leitura de poesia: ANDRÉIA LAIMER, DIEGO PETRARCA, LORENZO RIBAS e RODOLFO RIBAS
18h24 – Leitura A melhor maneira de dizer tudo em 6 minutos: EVERTON BEHENCK
18h30 – Desde que o samba é samba
PAULO LINS e FABIANA COZZA conversam sobre samba e poesia.
Mediação: MARCELINO FREIRE
20h30 – Show de HENRY LENTINO QUARTETO
21h30 – Festa de encerramento
PROGRAMAÇÃO ESPECIAL
OFICINAS
DIAS 19 E 20 (das 16h às 19h): OFICINA “Roberto Bolaño”, ministrada por CRISTIAN DE NÁPOLI
DIAS 20, 21 e 22 (das 16 às 20h): OFICINA “Bem dita palavra”, ministrada por MARIA REZENDE
Local: Casa de Cultura Mario Quintana
DIA 18 (de 15h às 16h30): “Poetar” – Oficina de Produção de Textos Poéticos, direcionada ao público infantil e ministrada por CELSO SISTO
Oficina a partir de brincadeiras com a escrita.
Local: Casa de Cultura Mario Quintana – Biblioteca Lucília Minssen
EXIBIÇÃO DO DOCUMENTÁRIO “WILSON MARTINS – A CONSCIÊNCIA DA CRÍTICA” (Direção: Douglas Machado)
DE 17 a 25/04
Local: Cinebancários
NOSSA VIDA NÃO VALE UM CHEVROLET
Texto: Mario Bortolotto
Direção: Adriane Mottola
Produção: Morgana Kretzmann
Elenco: Morgana Kretzmann, Rafael Guerra, Plinio Marcos, Fernanda Petit, Guilherme Zanella, Cassiano Ranzolin, Eduardo Cardoso, Carlos Azevedo.
Músicas: Nei Lisboa e Mario Bortolotto.
Datas: 20/21/22 e 27/28/29 de abril, às 20h (bar aberto a partir das 19h)
Temporada de 30/03 a 29 de abril (sextas a domingos)
Local: Centro Cenotécnico (Voluntários da Pátria, 1370)
Estacionamento com segurança no local.
A peça faz parte do projeto Universo Bortolotto, prêmios FUMPROARTE E FUNARTE 2011.
SAIDEIRA
Casa de Cultura Mario Quintana/Auditório Luis Cosme (4º andar)
07 DE MAIO
18h30 – Premiação dos vencedores do concurso “Imagens da ficção”
20h30 - LUIS FERNANDO VERISSIMO e MÁRIO PRATA conversam sobre humor e crônica. Mediação: CLÁUDIA LAITANO
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30 dias para 30 livros no facebook

A fórmula é simples e está dando certo: um grande desafio de um mês, em que a pessoa que topar participar precisa criar conteúdos diários sobre um determinado tema. Sim, é disso que se trata os 30 Day Challange, que estão ganhando popularidade no facebook.

Músicas, programas de televisão, fotos, filmes… A lista de desafios está sempre crescendo. Não é necessário se registrar em lugar algum ou seguir um protocolo se você quise participar, basta ter vontade de compartilhar seu conhecimento sobre algum assunto com seus amigos, colocar no seu status que gostou da ideia e resolveu participar, e começar a postar diariamente durante trinta dias algum tópico e/ou foto a respeito.

Apesar de ser uma iniciativa de grande liberdade e sem normas, cresce o número de comunidades sobre cada assunto, e estas têm gerado algumas “regras” para orientar os úsuários que quiserem participar. Como nosso assunto aqui são livros, há duas comunidades principais de 30 Day Book Challange (aqui e aqui).

Ambas as comunidade sugerem um tipo de livro para cada um dos trinta dias de desafio. Você pode simplesmente citar algum que se encaixa na descrição, mas também é legal escrever um texto a respeito. Aqui vai uma das listas, já traduzida para o português, para inspirar você:

dia 01 – o livro preferido;

dia 02 – o menos apreciado;

dia 03 – aquele que surprendeu vocês (por bem ou por mal);

dia 04 – algum que faz você lembrar de casa;

dia 05 – um livro de não-ficção que você gostou mesmo;

dia 06 – algum que te faz chorar;

dia 07 – um que seja difícil de ler;

dia 08 – um livro desconhecido que merecia ser best seller;

dia 09 – um livro que você já leu mais de uma vez;

dia 10 – o primeiro romance que você lembra de ter lido;

dia 11 – um livro que fez você se apaixonar pela leitura;

dia 12 – aquele que mexeu tanto com você que teve de ficar de lado por um tempo para você se recuperar;

dia 13 – o preferido da sua infância;

dia 14 – um livro que deveria ser obrigatório nas escolas ou universidades;

dia 15 – o seu predileto que trata de outras culturas;

dia 16 – o seu favorito que virou filme;

dia 17 – o livro que virou um filme deturpado;

dia 18 – um livro que você adorou e que não encontra mais nas estantes;

dia 19 – um livro que fez você mudar radicalmente de opinião sobre algum assunto não-ficcional;

dia 20 – um livro que você recomendaria para abrir a mente de alguém tosco;

dia 21 – algum que te dá prazer e culpa;

dia 22 – sua série favorita;

dia 23 – o livro romântico preferido;

dia 24 – um livro no qual o autor mentia e você só foi descobrir isso depois;

dia 25 – a biografia ou autobiografia preferida;

dia 26 – um livro que você gostaria de ter escrito;

dia 27 – um livro que você escreveria se tivesse todos os recursos;

dia 28 – um livro que você nunca escreveria;

dia 29 – um autor que você detesta e evita ler de qualquer jeito;

dia 30 – um autor do qual você leria qualquer coisa que ele lançasse.

Essas são algumas sugestões, mas sinta-se livre para seguir sua própria lista, ou então não seguir lista alguma – simplesmente expressar seu amor pelos livros durante trinta dias falando daqueles que você mais gosta ou mais detesta.

*Um agradecimento a Frederick Martins, sem o qual esse post não existiria.

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[do leitor] Jornalismo de verdade sobre Cuba

A postagem de hoje é uma contribuição do leitor Alexandre Haubrich, jornalista e editor do blog Jornalismo B.

Cospem em nós, e os jornais dizem: chove”. Assim escreveu Eduardo Galeano. Esqueceu de contar que, quando chove, alimentando a plantação, os jornais dizem: cospem. A deseducação é a tarefa cumprida pelos donos da mídia a serviço dos donos do mundo. E os ataques aos bastiões de defesa popular são estratégia básica. Sobre Cuba, por exemplo, a velha mídia brasileira mente, distorce e omite. Entrevista Yoani Sánchez, blogueira desmascarada dia após dia. Não entrevista o povo, não fala sobre o criminoso bloqueio econômico perpetrado pelo governo norte-americano, não fala sobre os cinco prisioneiros políticos cubanos trancafiados nos EUA.

Há pouco tempo vem surgindo a internet (cada vez mais popular) como alternativa para furar o outro bloqueio sofrido por Cuba: o bloqueio midiático. Mas em 1976 não era assim, e Fernando Morais foi um dos próceres dessa grande derrubada de muros que é a chegada de informações reais sobre Cuba. O livro A Ilha é a mais importante obra de um brasileiro sobre o governo revolucionário e o povo cubano, e foi publicado no Brasil quando a repressão da Ditadura Militar ainda estava em alta.

A obra dialoga perfeitamente com o mais recente livro de Fernando Morais, Os últimos soldados da Guerra Fria, onde o escritor toca em um dos temas que parecem proibidos por aqui – sim, ainda há censura no Brasil, mas ela é, sobretudo, a censura do dinheiro: os cinco cubanos que são presos políticos nos EUA.

Os últimos soldados é escrito com a sensibilidade à flor da pele, retratando os personagens como os seres humanos complexos que são, personagens “redondos”, com fraquezas, fortalezas, defeitos e qualidades. E os insere em um contexto de agressão à Cuba partindo sempre de Miami, sob as barbas do governo norte-americano e, não raro, com apoio da CIA.

O livro complementa A Ilha no sentido de que ultrapassa as fronteiras de Cuba sem ignorar a experiência do povo cubano, enquanto a obra de 1976 é um retrato impressionante e cheio de detalhes da vida desse povo. Se A Ilha retrata uma população que, mesmo nas dificuldades, luta por sua revolução e por sua sobrevivência, Os últimos soldados da Guerra Fria mostra o desrespeito norte-americano à soberania dos cubanos e os riscos a que estes se submetem para defender o que conquistaram.

Nos dois livros, Fernando Morais faz um registro histórico da Revolução Cubana em todo o seu significado – as conquistas do povo cubano e a afronta à ordem capitalista encabeçada pelo governo norte-americano. E mostra que o jornalismo pode, sim, ir além do fugaz e pode, sim, ir além das obviedades.

Se você gostou do texto, não deixe de acessar o blog Jornalismo B e se inteirar da campanha do Jornalismo B Impresso, que está buscando apoio dos seus leitores e simpatizantes para garatir sua tiragem em 2012.

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Quatro livros indispensáveis sobre Bob Dylan

Uma das recentes notícias mais bem recebidas pelos fãs da música popular e do rock and roll é a vinda de Bob Dylan ao Brasil em 2012. O septuagenário músico vai se apresentar em Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro durante o mês de abril.

Os setenta anos de Bob Dylan se confundem com a história do próprio rock e da música popular norte-america. Para desvendar essa esfinge em permanente mutação, a Letras & Cia. selecionou quatro dos melhores e mais importante livros sobre Dylan, para você conhecer mais a fundo a vida e a obra do aclamado compositor.

No direction home: a vida e a música de Bob Dylan

Autor: Robert Shelton. Editora: Larousse do Brasil .

Robert Shelton foi por muitos anos o único jornalista liberado pelo próprio Dylan a acompanhá-lo de perto. Tal simpatia foi conquistada a partir de um artigo de Shelton para o sisudo The New York Times que acabou por apresentar o compositor e cantor para uma larga audiência quando ele ainda era um desconhecido músico da cena folk do Village.

O livro acompanha a carreira e a vida de Bob Dylan, comentando seus principais discos e também apresentando comentários de outros músicos sobre ele. Além disso, o livro conta com algo que falta em outras biografias do cantor: variados depoimentos do próprio Dylan.

Trecho

“Ah, eu adoraria dizer que sou um poeta. Gostaria mesmo de pensar em mim mesmo como um poeta, mas não posso, por causa de todas essas pessoas odiosas que são chamadas de poetas.” Quem era poeta então? Allen Ginsberg? “Ele é um poeta”, Dylan disparou. “Ser poeta não implica necessariamente que se deva escrever palavras no papel. Entende o que eu estou dizendo? Um daqueles motoristas de caminhão que desce as escadas de um motel é poeta. Quer dizer, ele fala como um poeta, o que mais um poeta precisa fazer? Os poetas”, a voz dele ficou suspensa no ar em meio a formulações vagas, as ideias fluindo rápido demais para a língua. “Poetas, velhos, morte, decomposição, pessoas como Robert Frost poetizam com árvores e galhos, mas não é isso o que eu quero dizer. Allen Ginsberg é o único escritor que eu conheço. Eu não respeito tanto assim os outros escritores. Se eles realmente quiserem fazê‑lo, precisarão cantar. Eu não diria que sou um poeta pelos mesmos motivos que não diria que sou um cantor de protesto. Tudo que isso faria seria me inserir em uma categoria com um monte de pessoas que só me importunariam. Não quero estar na categoria delas. Não quero enganar ninguém. Dizer a qualquer um que eu sou um poeta seria enganar as pessoas. Isso me colocaria numa classe, cara, com pessoas como Carl Sandburg, T. S. Eliot, Stephen Spender e Rupert Brooke. Ei, dê nome aos bois — Edna St. Vincent Millay e Robert Louis Stevenson e Edgar Allan Poe e Robert Lowell.”

Bob Dylan – Gravações Comentadas & Discografia Completa

Autor: Brian Hilton. Editora: Larousse do Brasil .

Se o que você quer mesmo é percorrer as várias reentrâncias da obra do músico, esse livro será um mapa de grande utilidade. O autor, Brian Hilton, é musicólogo e poeta, autor de três livros de versos. Ele guiará você através de todos os álbuns oficiais e colaborações artísticas, oferecendo dados como data de lançamento, créditos, tempo de duração de cada faixa, músicos e também comentários sobre cada uma das músicas. Há também uma lista das primeiras transferências para CD de cada álbum e uma relação de compactos nos formatos 45 rotações, 12 polegadas e CD.

Trecho

Like A Rolling Stone (Dylan) 6:11 – Uma cena central de Don’t Look Back retrata Dylan admirando candidamente as guitarras da vitrine de uma loja em Londres. Tendo supostamente decidido plugar sua carreira musical, ele escreveu “apenas uma base no papel… dirigida a algum ponto que era honesto” e a transformou, com algum tipo de alquimia, em seu primeiro número 1 nos EUA, apesar de algumas das primeiras cópias promocionais trazerem uma versão cortada pela metade antes da intervenção de Dylan. “Eu e minha esposa vivíamos numa cabana em Woodstock, que alugamos da mãe de Peter Yarrow. Escrevi a canção lá. Tínhamos chegado de Nova York e passaríamos uns três dias por lá resolvendo uns lances. Ela simplesmente veio, sabe, ela começou com o riff de La Bamba”.

 

Like a Rolling Stone: Bob Dylan na encruzilhada

Autor: Greil Marcus. Editora: Companhia das Letras.

Esse livro costuma ser apresentado como “a biografia de uma música”. E não deixa de ser. O aclamado crítico musical Greil Marcus tenta nos colocar dentro do estúdio onde Like a Rolling Stone foi gravada para analisar acorde por acorde, instrumento por instrumento, timbre por timbre a canção-símbolo de Bob Dylan. Marcus ainda se aventura em trilhar os caminhos dessa música para o público, desde seu nascimento até sua repercussão nos dias de hoje, observando suas sucessivas ressignificações.

Considerado um bom livro para quem já conhece um pouco da obra de Bob Dylan, o livro de Greil Marcus é também bastante rico em contextualiações históricas e políticas.

Trecho

“Todos se lembram de onde estavam quando ouviram que Kennedy fora assassinado. Eu gostaria de saber quantas pessoas se lembram de onde estavam quando ouviram pela primeira vez a voz de Bob Dylan. Ela é tão inesperada.” Assim me disse um amigo há um ou dois anos. Comecei a pensar em como o mundo ainda parecia estar se recuperando de Time Out of Mind de Dylan, que aparecera em 1997 — ou como o mundo ainda poderia estar ficando para trás dele. Talvez até o próprio Dylan, com seu Love and Theft, de 2001. Era uma reunião de canções tão bem‑acabadas que, comparada aos confins americanos dispersos de Time Out of Mind — com vários lugares mencionados, Missouri, por exemplo, Chicago, Boston, New Orleans, mas todos ainda assim flutuando livres de qualquer mapa, com a música tão furiosa que parecia um novo buraco negro aberto antes mesmo de o anterior ter sido tapado —, Love and Theft poderia parecer um retrocesso. Uma retirada do campo de batalha, uma saída do trem.

Bob Dylan (Taschen, série Music Icons).

“O que mais importa na música de Dylan é como ele canta e não o quê ele canta”, disse certa vez John Lennon em uma entrevista para a Rolling Stone, surpreendendo o repórter e toda o público, que estava mesmo era espantado com as qualidades de compositor – e menos de cantor – daquele jovem que então estava despontando.

No entanto, oculto atrás de suas letras, a voz e o visual de Bob Dylan invadiam as páginas de jornal e revistas de todo o mundo durante os anos 1960. A figura franzina e desgrenhada de Dylan completava um paradoxo de voz firme e letras forte. Vaidoso, o músico então pousava para as fotos e faz questão de construir um visual esteticamente distinto e visivelmente caro para chocar os humildes fãs que o seguiam como o representante maior da música de protesto norte-americana.

O livro da série Music Icons possibilita ao leitor um belo passeio pelas diversas fases do compositor, captando muito bem o espírito de cada uma, coisa que poucos livros conseguiram fazer.

 

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O jornalismo em campanha

Olá, leitor! Estivemos alguns dias fora, trabalhando em novidades para você que em breve terão seu espaço aqui – aguarde! Mas voltamos para avisar que o maior site de crítica jornalística do Rio Grande do Sul está em campanha. Sim, nosso parceiro Jornalismo B está precisando da sua ajuda para viabilização do seu projeto impresso em 2012.

Assista ao vídeo e entre na página da campanha para saber como contribuir:

E um bom carnaval a todos!

 

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